Como a construção conhecimento é intrigante, arrebatadora e transformadora. O conceito de Paulo Freire de que “quem forma se forma e reforma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado” bem como “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”, aconteceu comigo nessa semana ao ministrar uma aula para Jovens e Adultos.
-a condição de “não criança”;
-a condição de excluídos da escola;
-a condição de membros de determinados grupos culturais.
Essas característica apresentada pela autora me fez refletir bastante no trabalho com meus alunos. A classe em sua heterogeneidade contribui de forma extremamente significativa para o processo de ensino e aprendizagem quando contam, interpretam ou atrelam o ensino de História a sua história de vida, e à interpretações atuais.
Para propor uma discussão com a classe sobre a desesperança que caracteriza a vida de muitas pessoas e também trabalhar o conceito de AÇÃO HUMANA e a HISTÓRIA, enfatizei os conceitos de "determinismo" e "fatalismo" que caracterizam a vida como algo predestinado e sem concepção alguma de mudança. Para isto me baseei na apostila de FILOSOFIA da 3ª série do Ensino Médio, vol. 03, no qual se encontra o texto clássico de Sófocles: ÉDIPO REI. Li a tragédia para eles, e debatemos sobre muitas coisas, assim quando um aluno apontou a tragédia como "instrumento de dominação" para que a maioria população ateniense não saísse da condição de servo e inferior. "Manda quem pode, obedece quem tem juízo''...etc. discutimos sobre isso também, colocamos outras visões, enfim...
Todos atrelaram o conteúdo da aula com sua esperança de estudar e adquirir conhecimento numa etapa já bem adulta da vida. No entanto, o meu propósito fora alcançado. Eles entenderam que o conhecimento não é transmitido e sim construído e que numa apostila de FILOSOFIA, desenvolvi uma aula de HISTÓRIA, atrelando as duas disciplinas na vida cotidiana deles e na minha. INTERDISCIPLINARIDADE também.
MORAL: Tanto a História, quanto a Filosofia se tornaram redentoras da desesperança de aprender que caracterizavam muito deles, e os mesmos perceberam o quanto essas disciplinas estão ligadas as suas vidas e a forma das pessoas agirem e se manifestarem ao longo do tempo. Após tanta discussão duas alunas fecharam a aula propondo que eu procurasse saber sobre a novela MANDALA de autoria de DIAS GOMES passada na Rede Globo em 1987-1988, que é uma livre adaptação de ÉDIPO REI, pois elas me disseram que no decorrer da leitura da tragédia e do debate elas foram lembrando de cada etapa da novela e atrelando suas memórias nos apontamentos feitos por mim e pelos alunos na sala.
É ENSINANDO QUE SE APRENDE. EU NÃO SABIA QUE ESSA TRAGÉDIA TINHA SIDO ADAPTADA NUMA NOVELA E MUITO MENOS QUE ISSO IRIA ME AJUDAR NUMA AULA DE HISTÓRIA.
MORAL 2: Sai da sala com a missão cumprida e com a sensação que ali o conceito de Freire foi totalmente praticado. Eu li a tragédia e eles me ensinaram a novela, e nós ESTUDAMOS, ELUCIDAMOS, DISCUTIMOS e FILOSOFAMOS a HISTÓRIA.
Que interessante. Acredito que esse processo dê pra fazer no regular tb.
ResponderExcluirSim. Dá sim. Só não comentei nada pq queria enfatizar o EJA. Pena q postou anônimo =(
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