By Val =D
LENIN, Vladimir Ilitch. Imperialismo: Fase superior do capitalismo. São Paulo: Centauro, 2008“Os monopólios, a oligarquia, a tendência para dominação em vez da tendência para a liberdade, a exploração de um número cada vez maior de nações pequenas ou fracas por um punhado de nações riquíssimas ou muito fortes: tudo isto originou os traços distintivos do imperialismo, que obrigam a qualificá-lo de capitalismo parasitário, ou em estado de decomposição.” (p. 126).
Nas duas páginas do prefácio escritas por Lenin em 26 de abril de 1917 em Petrogrado na Rússia, hoje a atual cidade de São Petersburgo, o mesmo se prontifica a esclarecer as limitações históricas refletidas em seu livro devido à censura ratificada pela política czarista. O mesmo incita os leitores a recorrer a leituras de alguns artigos que publicou no exterior, entre 1914 e 1917, para melhores esclarecimentos de fatores que envolvem o antagonismo proposto no social-chauvinismo e os fatores que englobam o imperialismo como véspera das revoluções sociais, contudo, devido ao confinamento de sua produção bibliográfica o autor viu-se obrigado a mascarar as relações de países vigentes na inconsequência de seus regimes capitalistas: “O leitor atento substituirá facilmente o Japão pela Rússia, e a Coréia pela Finlândia, Polônia, Curlândia, Ucrânia, Khivá, Burkhará, Estlândia e outros territórios não povoados por grãos-russos.” (p. 08).
Vladimir Ilitch Lenin nasceu na atual cidade de Ulianovsk, no dia 22 de abril de 1870 e faleceu no dia 21 de janeiro de 1924; formou-se em direito e traduziu para o russo a obra de Marx e Engels: Manifesto do partido comunista; foi um revolucionário e chefe de Estado russo, líder do partido comunista e o primeiro presidente do conselho dos comissários do povo da União Soviética. Sua característica política influi diretamente na construção dessa obra. Vale salientar que Lenin é um homem de seu tempo, enxerga o mundo de acordo com a corrente que o período o levara, não obstante seus argumentos ainda correspondem as indagações das problemáticas sociais atuais.
O livro tem por objetivo mostrar com ajuda de dados gerais as visões a respeito da economia mundial que norteavam a classe burguesa de todos os países, na ideia de formular um quadro de conjunto dessa economia capitalista em suas relações globais no início do século XX, em vésperas da primeira grande guerra ou primeira guerra imperialista mundial. O autor também teve a finalidade de resgatar os menores indícios de legalidade que sobejaram das forças opositoras com o ideal de democracia liberal a perseguirem os comunistas em sua integralidade, logo se localizando exatamente na América atual e na França. É elucidado também que a primeira guerra imperialista mundial (1914-1918) teve em seu eixo estrutural, a divisão do mundo por grandiosas potências financeiras, logo ressaltando que as causas de guerras serão encontradas na situação objetiva das classes beligerantes, ou seja, estudar a guerra partindo do pressuposto das forças econômicas que envolvem as potências no conflito. “O capitalismo deu agora uma situação privilegiada a um punhado de países particularmente ricos e poderosos que, com o simples corte de cupons, saqueiam todo o mundo.” (p. 13) Por isso de sua tese: Imperialismo, fase superior do capitalismo.
Todo o discurso competente que norteia o capitalismo industrial pregando o livre mercado e a democracia, e que estende a construção das ferrovias a um ato civilizador, se encontra num passado distante. Lênin, ainda ressalta que todo esse monopólio capitalista é praticado pela América, Inglaterra e Japão, e que estes saqueiam e arrastam todos para os seus saques.
No capítulo O Imperialismo (pp. 15- 16) “o autor se baseia no economista inglês J. A. Hobson, que em 1902 publica em Londres e em Nova Iorque, O Imperialismo. O debate que norteia o Imperialismo é se não as peculiaridades da obra de Hobson e do austríaco marxista Rudolf Hilferding, O capital financeiro, que analisa com certa tendência o marxismo com o oportunismo e Hobson que defende o ponto de vista de uma reforma social e do pacifismo burgueses.” (p. 15). No capítulo posterior A concentração da produção e os monopólios (pp. 17-30) o autor expõe dados interessantes em relação a essa temática, bem como o que diz respeito a Europa o capitalismo antigo que fora substituído pelo novo no início do século XX, que se iniciou com a depressão internacional da indústria na década de 1870-1880. A partir de 1860 e 1870, o monopólio passa a caracterizar a livre concorrência; após a crise de 1873 começa-se a criar novas formas, um longo período do desenvolvimento do sistema de cartéis; 1900 a 1903 os: “cartéis passam a ser uma das bases de toda a vida econômica. O capitalismo transformou-se em imperialismo” (p. 23). “A supressão das crises pelos cartéis é uma fábula dos economistas burgueses, que põem todo o seu empenho em embelezar o capitalismo.” (p. 29).
Muito interessante a relação de continuidade e permanência que o autor vincula a obra, pois o mesmo explana de forma intrínseca e extrínseca, evidenciando todas as peculiaridades que ressalta o domínio capitalista. Em Os Bancos e o seu Novo Papel (pp. 31-46) o autor enfatiza que a operação fundamental desses estabelecimentos de transações pecuniárias é ser intermediário do dinheiro capitalista. Os mesmos ficam encarregados de transformar capital inativo em ativo, sendo assim rendendo mais lucro a classe capitalista. “A substituição do velho capitalismo, onde reinava a livre concorrência, por um novo onde reina o monopólio, origina, nomeadamente, uma diminuição da importância da bolsa” (p.38). A relação das empresas industriais com sua nova forma de “vida”, ou seja, sua relação com os bancos organizados, não caracterizam em suma em caráter nacional. Essas relações intrínsecas mostram que o monopólio, uma vez instaurado, entra nas particularidades das pessoas, nos regimes políticos, na sociedade em sua globalidade. O capital financeiro, disponível nas mãos de poucos causava atividades monopolistas obtendo um enorme lucro, logo favorecendo na construção das sociedades, emissão de valores, empréstimos, consolidando a dominação da oligarquia financeira.
As diversas fases capitalistas no decorrer da obra demonstram sua notoriedade em relação ao tempo histórico. O capitalismo mesmo bem desenvolvido, tem até sua força de trabalho que se transforma em mercadoria, tendo como eixo centralizador a exportação que também é um meio dos países menos desenvolvidos arrecadarem maiores riquezas ao exportar para países subdesenvolvidos. Na medida em que a modernização do capitalismo foi aumentando, aumentou-se também a carreira de monopólios, no qual as relações com o exterior, especificamente suas colônias, fez que as potências fizessem um acordo universal e constitucional para a formação de cartéis internacional, dando início ao supermonopólio, assim temos A Partilha do Mundo entre as Associações de Capitalistas (pp. 67-76).
Lênin conclui sua obra elucidando que o imperialismo surgiu das peculiaridades do capitalismo em geral. O capitalismo só começou a se transformar em imperialista quando atingiu seu grau mais elevado dentro da sociedade, no qual suas características econômicas se manifestaram em todos os traços universais; na transição de regimes, nas idiossincrasias de cada potência e no mundo em sua integralidade. Onde o capitalismo mais alcança seu auge são nas colônias e nos países do Novo Mundo. Obviamente que o autor estabelece uma crítica ao regime imperialista: “O imperialismo é a época do capital financeiro e dos monopólios, que trazem consigo, em toda parte, a tendência para a dominação, e não para a liberdade” (p.122). O autor ainda conclui que o imperialismo tem em sua essência o capitalismo monopolista, e isso por faz com que ganhe um papel especial na história, pois o monopólio faz a transição do capitalismo para um grau mais elevado. Os monopólios vivenciam diversas práticas no decorrer da dinâmica capitalista, logo intensificando a corrida imperialista.

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