Hoje, feriado nacional, comemora-se o evento que derrubou o regime monárquico e legitimou o Marechal Deodoro da Fonseca como o 1º presidente do Brasil. Para isso, tenho um texto publicado em outro blog que foi criado especificamente em concordância com a disciplina de Tecnologias e linguagens no ensino e pesquisa em História da universidade: Queda do Império e Proclamação da República do Brasil: Um novo olhar historiográfico a partir de 1930
Sábado passado fui fazer a prova do ENEM (para me atentar especificamente a minha disciplina de História), logo, caiu uma questão muito interessante sobre essa temática, sob o olhar do autor Zé Murilo de Carvalho. Me recordando das minhas aulas de Brasil III (5º semestre), lembrei do nosso exercício de comparar as obras do Zé Murilo com a de Boris Fausto, bem como da questão que caiu em nossa prova sobre o Tiradentes. Me recordei que o intuito de "eleger" Tiradentes como mártir, era atingir a coletividade no propósito de consolidar um herói republicano. Nessa ótica, respondi a questão da prova do Enem com muita segurança, e só confirmei o que eu já sabia. Nesse sentindo, me refiro que os conhecimentos oriundos da universidade podem e são, aplicados com veemência no nosso cotidiano, tanto profissional como em avaliações dessa natureza:
Questão 20 (Caderno amarelo)
Para consolidar-se como governo, a República precisava eliminar as arestas, conciliar-se com o passado monarquista, incorporar distintas vertentes do republicanismo. Tiradentes não deveria ser visto como herói republicano radical, mas sim como herói cívico-religioso, como mártir, integrador, portador da imagem do povo inteiro.
CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas: O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das letras, 1990.
I - Ei-lo, o gigante da praça,/ O Cristo da multidão! É tiradentes quem passa / Deixem passar o Titão.
ALVES, C. Gonzaga ou a revolução de Minas. In: CARVALHO, J. M. C. A formação das almas: O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das letras, 1990.
A 1ª República brasileira, nos seus primórdios, precisava constituir uma figura heroica capaz de congregar diferenças e sustentar simbolicamente o novo regime. Optando pela figura de Tiradentes, deixou de lado figuras como Frei Caneca ou Bento Gonçalves. A transformação do inconfidente em herói nacional evidencia que o esforço de construção de um simbolismo por parte da República estava relacionado:
B- à identificação da Conjuração Mineira como o movimento precursor do positivismo brasileiro.
C- ao fato de a proclamação da República ter sido um movimento de poucas raízes populares, que precisava de legitimação.
D- à semelhança física entre Tiradentes e Jesus, que proporcionaria, a um povo católico como o brasileiro, uma fácil identificação.
E- ao fato de Frei Caneca e Bento Gonçalves terem liderado movimentos separatistas no Nordeste e no Sul do país.
Enfim, estamos aqui em 2010. O ano em que pela primeira vez na história do Brasil, uma mulher é eleita presidente da República. =D
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